sexta-feira, 2 de setembro de 2011

#10,5 Dream

Estava eu hoje de manhã ouvindo o rádio enquanto dirigia até o trabalho (quase morri por estar cantando e fechar um caminhão enorme) e pensei. Que incrível. Ando pensando tanto em músicas que talvez esse blog um dia se torne musical, como o do @_pozzi. Mas veja bem: música talvez seja a minha arte preferida. Capaz de nos fazer ter as mais diversas sensações com o simples fato de ouvir alguém exercitar as cordas vocais (lembrei que eu tava querendo morrer no domingo enquanto algum vizinho ouvia axé). Enfim, pensando eu a respeito de músicas, cheguei à conclusão que todas as músicas que falam sobre sonhos que eu já ouvi até hoje, acabei gostando. Claro, as da variante rock/pop somente, que é só o que eu permito que meus ouvidos ouçam, para que meu cérebro permaneça são. E então que eu sei que a maioria de vocês nem é tão ligado em música assim e muitos outros nem são acostumados a ver clipes e nem gostam e tal. Mas hoje eu quis vir aqui contar pra vocês e mostrar quão lindas são todas as músicas que falam de sonhos.

Sonho. Nem é minha palavra preferida, nem em português nem em inglês. E eu nem gosto daquele doce mole e com aquele creme amarelo no meio. Sei lá, meio que me afoga. Mas no fundo, bem lá no fundo... talvez eu seja uma pessoa sonhadora. E sou feliz por isso. Triste é aquele que não sabe sonhar.

Para os sonhadores: ouçam as musiquinhas! Vale a pena. :)






All I Have to do is Dream, Everly Brothers - a qualidade da música deixa a desejar e o vídeo preto e branco mais ainda. Mas vejam bem: 1961, gente. A Segunda Guerra Mundial ainda estava fresquinha na mente e ninguém nem sonhava em ir à lua ainda. Minha mãe tinha 1 ano de vida e meu pai 3. E chegam os caras jovens porém com aparência sofrida (com terno, porque naquela época não devia ser permitido nem dormir trajando nada que não fosse terno) cantando sobre SONHAR, gente. :~ Com versos inocentes sobre romance (igualzinho o funk proibidão de hoje ¬¬), sobre pegar a mocinha nos braços e sentir o gosto dos lábios. Música essa que estamos nós aqui em 2011, exatos 50 anos depois e eu aposto que quase todo mundo já ouviu essa música por aí, até os mais novinhos. Na versão original ou nas muitas regravações que ela teve, a música está aí até hoje embalando casais e nas trilhas sonoras de novelas. Jajá alguém tipo Justin Bieber regrava, vocês vão ver. Ou pior: alguma dupla sertaneja traduz. Em versão mal e porcamente feita, como eles fazem com todas as músicas. Mas a original é isso aí. Linda.






Dreamer, Supertramp - já comentei no twitter que eu gosto dessa música e vira e mexe estou com ela na cabeça. Hoje, quando eu quase morri esmagada por um caminhão, era essa que eu cantava em alto e bom som no carro. E agora, passado o momento, devo dizer pra vocês que nem assustei. Porque se eu tivesse morrido estaria cantando Dreamer, olha que poético. 1974, eu nem sonhava em vir à vida ainda, mas hoje eu canto essa música como se tivesse vivido esse tempo. Porque meus pais viveram e eu cresci ouvindo o rock de 1970 - e sou imensamente grata a eles por ter tido essa formação.






#9 Dream, John Lennon - tá. Eu sei que apesar de ter sido o mais brilhante Beatle, John Lennon fez toda uma merda na vida. E que deixou filhos e família pra se juntar a uma japonesa estranha e cabeluda que separou o quarteto (antes quinteto!) mais famoso de toda a história da música e hoje é podre de rica sem nunca ter feito nada na vida. MESMO ASSIM, eu amo todas as músicas de John e Yoko quase tanto quanto amo as dos Beatles. Acho que talvez Woman seja a música dele que mais gosto, muito mais que Imagine. E gosto das músicas dele por falarem de maneira sutil e com musicalidade tranquila a respeito dos problemas do mundo e da necessidade de sermos alguém além dessa coisinha terrena e cheia de conflitos que somos. John pensava em algo além. Maior. Em #9 Dream (já existia hashtag, gente!), no sonho número 9, ele fala de sonhos que parecem reais e realidades que parecem sonhos. E eu tenho tantas sensações parecidas com essas na minha vida! Parece que foi ontem. Parece que foi sonho. Terá sido realidade?






Dream On, Nazareth - Nazareth foi uma banda de 1960 que durou tipo pra sempre, porque Dream On é uma música de 1982. Eu tinha dois anos. Mas o que eu lembro da banda era mesmo na época que eu tinha uns 6, 7 anos e que assistia Clip Trip com meu pai. E nos intervalos de Pink Floyd e Queen, passava assim esse momento glam com Nazareth. Propício pra passar no Clip Trip, que deve ter sido o primeiro programa de clipes que existiu muito antes da fundação da Mtv brasileira, o clipe mostra o início da era de vídeos musicais mostrando algo além da banda só tocando (início, porque Michael Jackson ainda devia engatinhar). Tá na cara (e nos dentes necessitados de aparelho) que de fato a época era o início e auge de Star Wars, o fenômeno. Em um vídeo bizarro (já existiam anões em 1980!) e com efeitos especiais bizarros, porém revolucionários para a época, O Dream On de Nazareth fala a respeito de continuar sonhando, apesar de parecer que a gente se engana quando faz isso.






Dreams, The Cranberries - Cranberries chegou na minha vida exatamente naquela época que a gente para de gostar de músicas infantis (no meu caso, Trem da Alegria e Angélica) e passa a olhar mais o mundo em volta e reparar na música pop. Era aquela fase de pré-adolescência e as minhas amigas gostavam de Cranberries, Roxette, The Cardigans e outras bandas pop femininas da época. Foi nesses mesmos anos que eu passei a amar Bon Jovi, mas ali bem no comecinho eu também compartilhava do gosto musical das amigas, porque eu ouvia muito. Dreams de Cranberries diz exatamente o que se passava comigo na época: mudanças. E apesar delas, a esperança de que sonhos se realizassem, mesmo não sendo exatamente o que pareciam ser.







Sweet Dreams, La Bouche - veja bem: La Bouche foi um grupo alemão de eurodance. E eu só descobri isso agora, ali na Wikipédia, 15 anos depois. Concluindo: um grupo alemão de eurodance já foi o meu grupo musical favorito. Em 1994, quando eu tinha 14 anos, no auge da oitava série de um colégio onde esse era o último ano e eu dizia de boca cheia que era veterana. Que eu sempre quis ser. Mais velha que todo mundo, da temida oitava série. Nessa época eu tinha o primeiro amor platônico da minha vida. Fernando, que arrumou o primeiro emprego dele como promoter do Resumo da Ópera, a matinê mais famosa de São Paulo. Matinê mesmo, porque era dentro do shopping. E tudo o que eu queria aos 14 anos de vida era ir no Resumo. Que a minha mãe, claro, nunca deixou. Mesmo assim, essa foi a época da minha vida que eu passei a ouvir rádio e o meu estilo musical preferido era esse tipo de "dance", avó da eletrônica de hoje. Aos 14 anos meu grupo musical preferido era o La Bouche, e a minha música preferida era Sweet Dreams. Mesmo com o típico estilo "tou falando muito mas não digo nada", característica das músicas dos anos 90, quando eu ouvia Sweet Dreams era bem a sensação de 'sonhos encantados de ritmo e dança através da noite' mesmo. Eu amava.






Sweet Dreams, Marilyn Manson - daí chegou Marilyn Manson e transformou meus sonhos encantados de dança em 'sonhos que as pessoas sonham - e algumas sonham em te usar, outras sonham em ser usadas por você, algumas sonham em te abusar e outras sonham em ser abusadas por você'. Marilyn Manson tinha na época toda uma lenda por trás dele que dizia que ele era o Paul, de Anos Incríveis e que ele tinha se revoltado por ter feito um papel de banana por tantos anos na série mais famosa da época e então se pintou e entrou pra música fazendo performances sadomasoquistas pra se vingar de todo o bullying (não existia essa expressão na época) que havia sofrido em sua infância por isso. E então eu digo pra vocês que Marilyn Manson e Matanza fazem mesmo parte de meu gosto musical, talvez exatamente por serem estranhos e chocarem a maioria da população por dizerem verdades em suas músicas. Marilyn Manson trocou meus sonhos por realidade e foi nessa música que eu passei a achar que o cara merecia ter algumas músicas na pasta de mp3 que eu teria no meu computador futuramente. E a versão dele de Tainted Love também é sensacional.






Just a Dream, Nelly - e eu sei que disse lá no primeiro parágrafo a respeito de só gostar e ouvir pop/rock. E é exatamente essa a razão dessa música estar aqui. Apesar de Just a Dream ser uma música de 2010, é de Nelly, um cara que cantou Dilemma, lá em 2002. Uma música que me marcou por tantos motivos e cada vez que eu ouço (e até hoje eu não consigo ouvi-la e continuar sã) me lembra tantas coisas que hoje, na atualidade, só me fazem pensar que tudo foi "just a dream". Nelly foi esse cara que por embalar vários anos da minha vida fez com que hoje eu odiasse todas as rádios "mainstream" da atualidade, porque todas elas só tocam esse R&B / Black Music tããão amado (e que um dia eu também gostei), mas que pra mim hoje só lembram momentos e pessoas das quais eu não quero lembrar. Just A Dream de Nelly mostra imagens e fala uma letra que bate exatamente com meu interior: "hoje eu abro meus olhos e sim, foi apenas um sonho. Deveria ter feito? Deveria ter comprado aquele anel? Porque eu ainda posso sentir isso no ar. Quando eu estou dando um rolê, eu juro ver o rosto dela por qualquer canto. Tentando apagar tudo, eu posso deixar doer." Nelly atualizou Dilemma para Just a Dream. Exatamente nos mesmos compassos da minha vida. E eu odeio ele por isso.






Teenage Dream, Katy Perry - então que quem vive de passado é museu e eu também gosto de músicas atuais. Katy Perry não é nada que se compare com o fenômeno Lady Gaga, e apesar de eu saber que ela ao vivo não canta NADA (just like Ke$ha) e que com certeza ela vive de playback (just like Britney Spears) e que apesar de eu ter visto esses dias o clipe de Last Friday Night e ter achado um absurdo de bizarro (para o sentido ruim) e que mesmo tendo Rebecca Black coadjuvando e apesar de eu ter achado o máximo a lavada na cara que Katy Perry dá nela (algo tipo 'olha como eu faço com muito menos uma música imensamente melhor que a sua sobre uma simples sexta-feira), ainda assim eu conversei com a amiga sobre algo no gosto musical dela ter dado tilt por começar com Creedence Clearwater Revival e terminar com.................... Katy Perry. Mesmo assim, em outras situações, não menosprezo a moça. Tanto, que Teenage Dream é a minha música preferida dela apesar de achar o clipe de California Gurls o máximo. E apesar de "você é um fooooooooogo de artifício" ter uma letra simpática, é em Teenage Dream que eu me acho. Primeiro porque eu acho que ela está linda no clipe, segundo porque essa pegada viajar de carro por um lugar lindo com o sol na cara e vento no rosto aproveitando o dia é super a minha cara (oi, eu sou uma pessoa diurna, à noite eu preciso dormir), e terceiro porque eu acho a letra da música ótima. Essa coisa de gostar da pessoa pelo que ela é, mesmo sendo desastrada e sem maquiagem e curtir as coisas simples da vida, sem preocupações e correndo na praia - eu acho lindo. Viver um teenage dream é tudo o que eu faço quando estou nos momentos mais felizes da minha vida. Tomando sorvete em uma tarde de sol ou conversando sobre coisas inúteis com amigos que me permitem ser quem eu sou sem que eu precise me preocupar com o que eles estão pensando a meu respeito.






Sing for the Moment, Eminem - não, eu não gosto de rap (morram, Racionais). Mas eu vou com a cara do Eminem. Muito provavelmente porque ele é um cara branco fazendo música de negro, como todo mundo diz. Que fez modinha e tals. E daí? Minha preferida dele é Cleaning out my Closet claro, porque música mais dark e polêmica eu não poderia escolher. Eu não sei exatamente porque Eminem resolveu "estragar" a melhor música de todos os tempos, porque de "sonhar" mesmo, a versão dele nada fala. Mas apesar disso fala sobre essa coisa de rigidez da sociedade que pega nos pés dos jovens que usam brincos e fones de ouvido e que ao invés de atingirem seus objetivos tornando seus filhos médicos e advogados, só se bloqueiam na vida deles. E aí tudo fica pior. Eu, adepta dos cabeludos e tatuagens, concordo plenamente. Já cantava Pink Floyd em Another Brick on the Wall.






Dream On, Aerosmith - desculpem. Infelizmente essa música não tem clipe. Mesmo assim, saibam vocês, que é a minha música preferida. DE TODAS. Não, muito se enganou quem pensou que a minha música preferida de todos os tempos seria do Bon Jovi. Não é. É assim, Aerosmith, com Steven Tyler gritando contidamente uma prévia do que gritaria hoje, mas já tão brilhante quanto, lá em 1973. E, apesar de ter sido gravada em 1973, estava eu ali, em 2007, no primeiro grande show de rock da minha vida, cantando (e chorando) a plenos pulmões ali, ao vivo e pessoalmente, junto com essa que é a minha segunda banda preferida. Steven Tyler e eu, eu e Steven Tyler. A MINHA MÚSICA PREFERIDA DE TODAS FALA SOBRE SONHAR. Essa sim, a forma mais pura (e mais real) que a palavra "sonho" pode ter. Sonhar, apesar do passado, apesar do futuro. Sonhar, apesar das dificuldades e dos percalços da vida, que tantas rasteiras nos dá. Sonhar, apesar das pessoas bobas e das sábias que passam em nossas vidas. Apesar de nossos erros e acertos. Apesar do riso e apesar das lágrimas. Sonhar, só por hoje. Sonhar, porque a vida é curta. Sonhar, até seu sonho se realizar.




PS: (quem entendeu porque o título do post se chama #10,5 Dream vai ganhar um beijo!)