domingo, 26 de dezembro de 2010

31



Porque eu aposto que vou passar por isso hoje. E é exatamente assim que eu me sinto.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O melhor

Todo mundo passou o mês todo fazendo retrospectivas do ano. O que fez, o que sentiu, o que achou. Eu venho por meio deste dizer que não sou dada a coisas do tipo e passei o mês todo fugindo dos blogs que quiseram relembrar. Afinal, cada um tem seu direito e eu não sou ninguém pra perder meu tempo pra criticar. Mas chegou a minha vez. De fazer retrospectiva não só do ano, mas de toda uma vida. E para os que como eu não nasceram pra isso, aviso que serei sucinta. Rápida, direta e precisa. Porque quase nada é tão digno de repetição nesse espaço de lembranças tão meu. QUASE.




Então que nesse Natal fatídico eu vim aqui só pra lembrar. Dos 10 melhores segundos de todos os meus quase 31 anos de vida.


E eu espero não precisar passar por mais 31 anos de vida pra viver mais 10 segundos tão lindos...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Verônica

Era meu primeiro ou segundo ano escolar. Levando em consideração que eu entrei na escola aos 4 anos, eu tinha de 4 a 6. Algo entre Jardim 1 e Jardim 2. Era assim que se chamavam as séries que vinham depois do "maternal" e precediam o pré-primário naquela época. Lá nos idos de 1984, 1985. Eu sei, vocês ainda não tinham nascido.

Naquela época a ordem não era tanto ensinar matérias escolares pra nós. Mas eu já sabia ler, aprendi sozinha e em casa. Eu e um gibi da Mônica, um gibi da Mônica e eu. E sabia contar até 30. Sensacional para uma criança de 4 anos. Mas a ordem do negócio era exercer atividades de socialização. Como diz meu relatório de rendimento escolar, guardado até hoje. Lembro de ter que participar frequentemente de brincadeiras em grupos que as professoras que não tinham o que fazer inventavam. E agora aqui pensando nisso concluo que eu não gostava não.

Um dia tia Rose decidiu que tínhamos que formar uma banda. 'Fulano fica com o tambor. Ciclano com a sanfona. Beltrano com a corneta. Renata, escolha um instrumento.' Eu olhei assim em volta e decidi que não queria nenhum. 'Como não, criança? Olha aqui o reco-reco, que bacana!'. Blé. Coisa chata. Coisa sem graça. Rec-rec-rec. Não. 'Pegue aqui os pratos então, olha que legal'. Bló. Coisa chata, nem nota musical faz. Vou tocar isso e vai dar só eu. Não. E então, depois de muito insistir, tia Rose perguntava até dos instrumentos que outras crianças já haviam escolhido e eu pensava se ela teria mesmo a coragem de tirar o brinquedo dos outros pra dar pra mim. Uma hora olhei no fundo do baú e decidi. Eu ia tocar sino.

Na banda. E daí?

Toquei. Tava lá no dia da apresentação, todo mundo fazendo aquela zoeira quando de repente ficava um silêncio total e então era a minha vez. DOM-DOM.

Pronto. Ninguém podia dizer que eu não tinha participado da maravilhosa banda sensacional de atividade de socialização maravilhosa.


Um belo dia era perto do Natal e então algum girico inventou que íamos montar um presépio. Nós seríamos os personagens. E eu, do alto de meus 5 anos pensava. Eu já pensava bastante nessa época. Pensava que com a sorte que eu tinha, ia acabar sendo a vaca. O burro. Mal sabia eu que vinte e tantos anos depois eu gargalharia horrores em saber que alguém escolheu ser o peixe do presépio de Jesus que por acaso resolveu nascer numa manjedoura no meio do deserto. Porque presta atenção que naquela Jerusalém só tem pedra. Enfim.

Tia Vera lá separando os papéis e a primeira a ser escolhida foi a Verônica. Virgem Maria, claro. Porque ela tinha uma cara branca e comprida. Tinha cabelos loiros e lisos. E eu cá com meus pensamentos. Eu que não vou ser a mula. Se me botarem de galinha eu não vou, hein. E então fiquei feliz em ver que sempre tinha um louco ou outro coleguinha meu que dizia 'puxa, vou ser o burro?? que sensacional!'. E aí foi indo, de um em um e eu pensando qual papel naquele circo todo que ia sobrar pra mim, já que todos estavam ocupados. Vão criar personagens novos, pensei. Vai que tinha girafa e eu nem sabia. E então que de repente a tia Silvia, diretora da escola (que quando me vê hoje na rua me trata como se eu tivesse 3 anos - e eu juro que nunca vi mais gorda na vida) olhou bem pra mim e gritou "RENATINHA VAI SER O ANJO!"

Gentem, prestenção. Eu lá toda olhando pra Verônica e pensando que virgem maria dos infernos, que pegou o papel principal que eu queria mesmo sendo tímida, quando de repente fui escalada pra ser o anjo. O anjo! E hoje eu estou aqui pra falar pra vocês que eu já fui o anjo do presépio nessa vida. Com uma túnica de cetim branco e lindas asas enormes eu juntava as mãozinhas durante a apresentação e olhava angelicalmente pra Verônica pensando 'vai, fulana! olha eu aqui toda linda de anjo e você aí toda esfarrapada e ainda tem que ficar de joelhos pra sempre!'

Então que puxando aqui na memória penso que a Joyce também era anjo. Mas como ela tinha uma cara de quem comeu e não gostou e era metade do meu tamanho e ficava no canto do palco e com túnica cor de rosa, não conta. Esses dias eu encontrei com ela na fila da eleição. E não lembrei de onde a conhecia. Claro, não estava com a túnica cor de rosa. Mas a cara de quem comeu e não gostou continua igualzinha.

Verônica morou naquela rua por algum tempo. E se mudou depois. Mesmo assim, dia desses quando deu uma baita chuva e desbarrancou a rua toda e tiveram que fechar pra sempre, lembrei que ela morava ali. Vingança, Verônica. Até São Pedro concorda comigo.

Ah, o sentimento natalino...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sobre adesivos de carros

Eu nunca gostei de adesivos em carros. Sempre achei baiano (explicando para os não-paulistanos: a gente acha "baiano" tudo que é meio feio por aqui. Mas é cultural, automático e sem preconceito - acho). Então que eu tenho percebido que tá na moda colocar adesivos na traseira dos carros demonstrando a família. E tudo começou com menininhos e menininhas de mãos dadas. Alguns maiores, pra demonstrar pai e mãe, alguns menores, para demonstrar os filhos. E aí imagine eu, parada no farol, analisando o adesivo do carro da frente. Às vezes o pessoal tem cabelo liso, às vezes enrolado. Às vezes são duas crianças, às vezes três. E então eu já cheguei a querer ter uma família, só pra colocar na traseira do carro toda a galera em adesivos. Então pensei que talvez seja perigoso mostrar pra todo mundo qual a sua situação. A minha, por exemplo. Só eu assim, na multidão. Melhor não ser adesivada então. Deixemos isso pra quem tem grandes proles. Mas já vi adesivos com só um casal e um coração no meio. Já vi adesivo com só uma mulher e um gato. Já vi adesivo com o pai fazendo churrasco, mãe, cinco filhos, cachorro, gato, papagaio e peixe. E dei graças a Deus por esse pessoal não morar no apto em cima do meu. Daí ontem eu acho que cheguei no extremo da demonstração familiar de adesivos de carro. Estava eu dirigindo tranquilamente quando bati o olho num adesivo desse tipo. Não consegui identificar de longe, parecia tudo mulher. Daí acelerei pra chegar mais perto (pra você ver como a pessoa presta atenção no trânsito) e concluir que haviam 7 pessoas no adesivo. Três mulheres pra cá, três pra lá. E um homem no meio.

Brasileiros. Alguns inventam moda, outros avacalham. E assim segue-se a vida.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sobre Cogumelos

Eu sempre achei que cogumelos eram bonitinhos. Por mais que eu tenha visto no Discovery que são fungos, que nascem a partir de madeira morta, que se alimentam de decomposição, que blablabla... pra mim é bonito. Eu acho meigo, simpático. Vários chapeuzinhos coloridos no meio do mato. Não sei se é meu sentimento Alice no País das Maravilhas de viver, não sei se é por isso que eu sempre escolho o Toad no Mario Kart, não sei se é porque eu sou apaixonada por champignons. A minha mãe sempre gritava 'larga isso que é sujo!', mas eu insistia. Que amor.


Vim contar que nasceu um cogumelo no rodo de madeira do meu banheiro. E o nome dele é Rogério.




Não. Nunca tomei chá de cogumelos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

101 coisas sobre mim

Eu vi por aí em algum blog e achei interessante. Porque às vezes é legal saber mais de quem está do outro lado da tela. E ah, sei lá, hoje eu acordei com vontade de contar mais coisas a meu respeito pra vocês. Tentei não ser tão impessoal e não dizer coisas tão óbvias quanto as que eu li nos blogs que fizeram esse meme. Enfim, eu tenho o dom de escrever coisas extensas, vocês sabem. Tentei ser o mais inédita possível nas informações, mas é claro que quem me lê há tempos ou conversa comigo todo dia vai ler muita coisa que já sabe a meu respeito. Enfim, tentei ser amor. Admitam.

1 - Eu leio muito blog por aí e não comento. E se você está ali na minha lista de links eu te digo que provavelmente leio TODOS os seus posts desde coloquei seu blog ali. E às vezes não comento simplesmente por não ter nada relevante pra dizer. Eu gosto de comentar só quando realmente quero. Não faz meu estilo comentários do tipo 'passa lá no meu blog, beijo'.

2 - Muito blogueiro faz o esquema básico de retribuir todos os comentários. Tipo assim, comentam no blog dele e no post seguinte que ele escrever, vai entrar nos comentários do post anterior e comentar todo mundo, para que as pessoas façam o mesmo e comentem seu novo post tudo de novo. Não faz meu estilo. Eu leio quem eu quero, na hora que quero. Sem vínculos empregatícios nem obrigatórios. E pra mim tá bom assim.

3 - Eu tenho blog há, sei lá... 10 anos. Fiz um grande intervalo entre os primeiros posts e os de estilo atual, por meus motivos. Me arrependo de ter apagado os posts de meu primeiro blog. Mas se vocês lessem, provavelmente se surpreenderiam com a minha mudança de personalidade.

4 - Eu tenho um arquivo com todos os blogs de todas as pessoas que já comentaram aqui (e no meu blog anterior). E quando resolvo revê-lo chego sempre à conclusão que hoje tenho os melhores leitores, desde sempre.

5 - Eu jogo Farmville (num esquema muito meu - com o objetivo de ganhar sempre mais dinheiro, e não de ter a fazenda mais frufru, como a maioria) mas me irrito ao entrar no Orkut e ler que o fulano precisa de tal item na Colheita Feliz. Pô, vontade de mandar ir lavar uma louça!

6 - Eu tenho picos de momentos reclamativos na vida e se você me acompanha já deve ter percebido. Mas algumas pessoas transformam suas vidas e de repente tudo o que dizem é reclamando ou sofrendo de tristeza imensa, sempre. Eu me canso. E alguns integrantes da minha lista de links perigam sair dali por isso.

7 - "Eu sei" é a frase que eu mais digo nessa vida. E pode crer... eu sempre sei.

8 - Eu tenho toc de arrumação. E isso pode ser desde com a minha casa e minhas roupas arrumadas por cores, até a quantidade de quadradinhos de followers do meu twitter. Sei lá, fica feio quando a linha não está completa. Mas fato: quem lê assim pensa que eu sou neurótica. E se você visse o tanto de sapatos que eu tenho espalhados por um canto lá da casa você ia saber que não é bem assim. ALGUNS DIAS eu levanto com inspiração pra arrumação. Nos outros, não.

9 - Eu não tenho certeza que quero casar nessa vida. Mas quero ter ao menos um filho. Candidatos à produção independente favor mandar currículo para o meu e-mail. Mas se você tem menos de 1,80m de altura, nem perca seu tempo.

10 - Eu ainda não trabalho com o que eu gosto. E apesar de me sentir meio frustrada pensando que tenho 30 e ainda não sou satisfeita no sentido profissional, penso que primeiro o trabalho, depois o lazer. Porque talvez o que eu queira fazer por prazer não me dê tanto lucro quanto o que eu não queira. Lembre-se que eu brinco de Farmville pensando em ganhar dinheiro. E não pensando que ó porquinho cuticuti vou te fazer um laguinho ali com o patinho.

11 - O babybrother é a pessoa mais importante da minha vida. E ainda bem que ele não lê meu blog, senão ia se aproveitar dessa informação. Fato é que quem quiser conviver comigo tem que gostar dele. Oi, eu preciso de um namorado que goste de video game.

12 - Eu não me acho uma pessoa difícil. Só não gosto de engolir sapos por aí. E espero que as pessoas me respeitem, como eu costumo respeitá-las. Não é tão difícil assim se você parar pra pensar.

13 - Não acho legal mulher que grita na torcida do futebol ou que desfila com latinha de cerveja por aí. Nem homem que passa base nas unhas ou chapinha no cabelo. Eu sou machista.

14 - Alcachofra, quindim, torta de palmito, pizza de cinco queijos, rabanada, couve-flor, morangos. São minhas comidas preferidas, não necessariamente nessa ordem. E quando as pessoas muito próximas de mim fazem ou compram, sempre me chamam pra comer.

15 - Se eu ganhasse na mega-sena dividiria o dinheiro em partes iguais entre meus pais e irmão.

16 - Antes de morrer eu quero ter oportunidade de conhecer/rever algumas pessoas. Se você se encaixa no perfil, sabe do que eu tou falando. Demore o tempo que demorar, nem que seja aos 80 anos e eu diga 'nossa, não te imaginava tão uva passa de pelancas assim'. É que algumas pessoas são importantes. E eu não as esqueço.

17 - Eu penso muitas coisas. Muitas mesmo. E por mais que eu tenha um blog, twitter, msn e o escambau... NINGUÉM sabe tudo o que eu penso ou faço. E nunca vai saber. Eu me reservo o direito de ser reservada, e acho isso muito bom. Pessoas do tipo 'livro aberto' talvez não sejam tão confiáveis.

18 - Eu tenho medo de hospital. Seja pela idéia em si, por medo de alguém que esteja lá ou de eu mesma ter que estar lá. E eu devo ter estado em um só quando eu nasci. De resto, eu me viro. Nunca quebrei nada nem levei pontos em lugar nenhum. E espero sinceramente continuar assim pra sempre e morrer de um mal súbito assim de repente, de uma hora pra outra. Sem ficar doente nem precisar que ninguém troque minhas fraldas. Quem morre de mal súbito morre feliz.

19 - Saudade de quando minha maior preocupação era chegar em casa antes das 13h da escola e estar atrasada e aflita no ônibus por ter ficado namorando depois da aula e a minha mãe ia me matar.

20 - A minha casa é o lugar mais lindo e feliz do mundo todo. E não é qualquer um que tem o direito de entrar. Se você foi convidado, sinta-se privilegiado. Você é alguém que eu gosto muito.

21 - Eu gosto de crianças e animais, desde que eles mereçam. Criança que faz escândalo no shopping me dá vontade de esfregar a cara no asfalto e poodles que pulam em cima de mim quando chego na casa dos outros fazem com que eu os imagine dentro do micro-ondas.

22 - Eu não converso com gente que não sabe escrever. Que escreva 'axim' ou que 'derrepente' não traduza a 'menssagem'. Sinto muito por quem diga que isso são só detalhes, mas pra mim é algo bem importante. Seja qual for a deficiência cerebral da pessoa, não pode fazer parte do meu mundo.

23 - Por outro lado, eu também tenho tios avós com seus 325 anos que não tiveram oportunidade de ir à escola por esse ou aquele motivo. Lá nos idos de 1800 era difícil a vida e tal. Mas piadas à parte, por esses sim eu tenho muito respeito. E quem não tem (sai daqui que você não vale o que come) ficaria surpreso pelo tanto de coisas que esse tipo de pessoa pode ensinar.

24 - Eu tenho preconceito com casais de idades muito diferentes. Não sei se a palavra no meu caso seria exatamente 'pré-conceito', porque todos os casais que vi nessas situações, eu realmente vi que um ou outro ou os dois se aproveitavam do fato da idade ser muito diferente. Em todo caso, cada um dá os fundos pra quem acha melhor e eu não tenho nada com isso. Acontece que o meu fundo é meu e eu não dou pra ninguém que tenha mais que 5 anos a mais que eu. Já falei que essa coisa de chupar pelanca pra mim não rola. Cinco anos pra baixo e pra cima é sempre o meu limite.

25 - Eu sempre fui de normal a gordinha, mas nunca fui obesa nem nada próximo disso. Quando eu estava no colegial foi o ápice da minha magreza, mas por nada nesse mundo eu usava mini blusa que mostrasse a barriga. É que eu acho que só a Shakira tem capacidade pra isso.

26 - Eu gosto de dirigir mas prefiro ir do lado olhando a paisagem. A vida é muito mais legal quando eu vou de passageiro. Nasci pra ser co-pilota.

27 - Sou primogênita e minha mãe sonhava que eu seria um menino. Tudo meu era azul, do colchão do berço às roupas, mas nem por isso a minha mãe era daquelas loucas que vestem meninos de meninas ou vice-versa. Eu estou sim toda menininha em todas as fotos de criança, cheia dos vestidinhos e babadinhos, só que tudo azul. Não me critiquem por minha cor favorita ser vermelho. Eu tenho motivos.

28 - Eu sou transparente. Sincera. Se tem alguma coisa nesse mundo que ninguém pode falar que eu sou é falsa. Sou do tipo que tá escrito sempre na testa o que eu estou pensando e sempre tive muita dificuldade de mentir. Felizmente a minha mãe faz milagres e hoje eu minto relativamente até que bem. Mas não com pessoas que me conheçam muito. Eu sou tipo o Chaves que diz sim com a cabeça mostrando que não.

29 - Gente que me deixa esperando talvez seja o que mais me tira do sério nessa vida. Claro que eu relevo quando o assunto é muito sério, se a mãe morrer e tal. Se não, não me deixe esperando. NUNCA. Vá. Vá atrasado, mas vá. Vá se arrastando, mas vá. Vá depois de morto. Mas vá.

30 - Eu tenho dentes perfeitos (todos os 32) e nunca usei aparelho pra isso. Uma vez um ortodontista fez um molde de gesso da minha arcada dentária pra eu guardar de presente. E enxergo tão longe que as pessoas duvidam que eu não estou inventando quando leio as coisas que estão distantes. Eu sou mesmo super :D, mas acho que não custa nada (custa, mas a recompensa é melhor) você que nasceu com os dentes tortos enfiar um aparelho nessa boca. Nem acho feio nem nada, até teve uma época que eu queria usar. Sair com os dentes tortos é que é horrível. E franzir os olhos pra enxergar também.

31 - Eu sempre quis aprender a tocar piano, mas a minha mãe sempre disse que em casa ou era eu, ou um piano. Mesmo assim, quando criança eu tive um daqueles de brinquedo, de madeira, Hering. O meu não era pequenininho não, era maior que eu. Só que eu tinha que tocar quando estava sozinha em casa. Meus pais sempre odiaram barulho e assistiriam tv no volume -3, se pudessem.

32 - Gosto de música e o melhor advento disponível na face da terra do meu celular é identificador de música. E eu tenho quase 25 GB de música (se você não sabe quanto é isso, é muito!) no meu pc. Invejável pra qualquer dj. E você se surpreenderia se visse.

33 - Tenho poucos amigos e tenho dificuldade em manter amizades. E não me arrependo. Mas meus poucos amigos eu defendo com unhas e dentes. É um por todos e todos por um. Claro, mantida a premissa principal de 'amigos, amigos, dinheiro à parte' (lembra do Farmville).

34 - Eu sou mais amiga das horas ruins do que boas. E não foi algo que eu planejei nem nada, acontece que eu sou muito solidária quando as coisas não estão dando certo. A maioria das pessoas preferem ser amigas nas horas das festas e baladas, mas eu vou te ligar e querer fazer com que você esteja bem quando o momento for difícil. Por isso as pessoas me procuram pra contar tragédias ou problemas. Eu queria que não fosse assim, porque me abalo como se fosse comigo. Mas é algo que não dá pra controlar.

35 - Eu odeio fofoca. Essa coisa do fulano que falou pro ciclano que contou pro beltrano me irrita. Do mesmo modo que eu não gosto de falar da minha vida, me incomoda saber da vida dos outros com ares de fofoca. E daí eu odeio igualmente revistas do tipo. Pra mim serve pra eu ler em sala de espera de consultório. E só. Se você COMPRA uma Caras, não me conte. Eu vou te achar a pessoa mais fútil do mundo se souber.

36 - Eu faço minhas próprias unhas e sempre foi assim. Porque quando eu vou na onda de alguém e faço no salão, eu não acho que fica tão bom. Mas só faço as minhas. Até parece que tenho cara de manicure... ¬¬

37 - Meu traje oficial é jeans e tênis. Porque o conforto e pés sem joanete são o que predominam pra mim. Mas claro que como toda mulher eu tenho sapatos lindos, com saltos finos maravilhosos e me sinto toda poderosa quando os uso.

38 - Eu falo pouco. E isso é uma virtude.

39 - Eu não choro. Claro, a não ser em casos tremendos, tipo se você terminar um namoro de 6 anos comigo eu vou chorar horrores e tal. Mas as raras vezes que choro, é de raiva. Mesmo assim, pouca gente me vê chorar. Dádiva que estou aprendendo atualmente: chorar em final de filme. Mesmo assim, só se eu estiver completamente sozinha, de cantinho, escondidinha.

40 - Eu tenho consciência que na próxima encarnação nascerei com cabelo sarará. É, porque eu vejo muita mulher mais bonita que eu por aí, mas com cabelo melhor que o meu é difícil. E então todo dia, quando eu olho no espelho e penso nisso... me vem a idéia que um dia eu serei castigada. Mas ó. Eu não faço nada de especial no cabelo não. Só lavo às vezes. E ah.. ele é virgem. Fato é que ele tem vontade própria. A diferença é que ele tem bom gosto. :)

41 - Eu já fiz aula de dança por 2 anos, natação por 11 anos, pintura por 1 ano, inglês até a hora que eu pude sair dizendo que tava na turma avançada. Aprendi com mamãe a fazer tricô, crochê, ponto cruz e a cozinhar. Agora estou experimentando a minha veia de jardinagem, mas fato é que eu tenho facilidades pra coisas do tipo. Artesanato e tudo que exija concentração, capricho e delicadeza. Eu sou supimpa.

42 - Gosto de mitologia, civilizações antigas, figurinos de época, arquitetura, arabescos, vampiros. Conclusão: nasci na época errada.

43 - Eu sou meiga. Gosto de florzinhas, lacinhos, fitinhas, babados, frufrus. Ai que merda.

44 - Gosto de flores, chocolates, roupa. Já passei da fase de bichos de pelúcia. Mas se alguém realmente me conhece, me dá livros de presente.

45 - Eu gosto muito de ganhar presentes e sempre tive mania de grandeza. O maior sempre era meu. Meu pai uma vez colocou uma correntinha de ouro numa caixa de bicicleta. Mas não teve problema. O maior ainda era meu. Gosto muito de dar presentes também. Dar uma coisa legal pra alguém que gosta muito do que ganha é compensador.

46 - Eu não pago mais de 100 reais numa calça e meu máximo de restaurante é Outback por 40 reais. Mas AQUELES 720 reais NAQUELE show foi a melhor coisa que eu fiz nessa vida.

47 - Eu não sou uma pessoa frutífera. Como frutas só quando sou obrigada. Exceção aos morangos. Mas babybrother, futuro nutricionista, me disse que pesquisas revelam que pessoas pós graduadas comem em média 2 porções de frutas por dia e são o melhor índice, pois aliam os anos de estudo ao conhecimento de necessidades para o organismo. Tipo assim, ele me deu uma indireta legal que eu devia fazer o mesmo porque pertenço ao grupo dos pós graduados. Como se ELE comesse ALGUMA fruta. Mas se eu for questionar ele vai dizer que a escolaridade dele por enquanto é só ensino médio completo. E que ele pode não comer fruta nenhuma nunca por isso. Eu estou tentando comer mais frutas. Juro. Tomate é fruta!

48 - Eu gosto muito de praia e sol e quem me diz o contrário eu pergunto se veio de Marte. Mas nunca fui de ficar torrando (praia pra mim é lá dentro da água) e as raras vezes que fiz isso me causaram muitas sardas. Mas não moraria na praia não. Eu gosto muito da água cheia de cloro de São Paulo e quando tomo banho em casas na praia sempre acho que não lavou direito.

49 - Eu não nasci pra morar no calor e só moraria em outro lugar se fosse de São Paulo pra baixo. Mas aqui pra mim tá bom demais. Não pretendo mudar nunca. Poluição e trânsito viciam.

50 - Eu coloco o arroz em cima do feijão, limpo a bunda sentada, coloco a camisa pra fora da calça e começo a tomar banho lavando a barriga. E quem me conhece sabe que tudo isso determina vários fatores da personalidade humana de acordo com as minhas teorias sobre o mundo.

51 - Eu tenho problemas com quedas. Já estatalei no meio da rua, já saí rolando na frente da escola, tenho cicatrizes nos joelhos das épocas de aprender a andar de bicicleta, já levei quedas astronômicas em todas as escadas imagináveis e quebrei meu dente de leite da frente por isso, já tomei vários caldos na praia e saí com o biquíni fora do lugar, já rolei na pista artificial de esqui e levei todo mundo junto pra bem depois de ter acabado a pista, já passaram em cima de mim carroça mais mulinha na praia paradisíaca lá em Galinhos, na minha viagem pra Natal. Meu pai só me deixou mudar para apartamento depois que colocou telas em todas as janelas e na varanda. Sabe como é, eu moro no vigésimo segundo andar.

52 - Já joguei Super Bonder no olho, já tirei rímel com acetona sem querer, já enfiei feijões no buraco do nariz, já fui mordida por meu próprio cachorro porque coloquei a mão na comida dele, já escorreguei de rolar de pedras na praia e quase morri. Tá, eu sou um desastre.

53 - Eu gosto de viajar, mas não gosto da viagem em si. Quando é na volta então, eu quero morrer. Se eu pudesse ter um poder seria o teletransporte.

54 - Eu sou perdida. Não, vocês não entenderam. EU SOU PERDIDA. Pedir informação pra mim é o caos porque quando alguém me fala que 'vira a direita e depois à esquerda', na terceira indicativa eu já esqueci a primeira e assim vai indo até que a pessoa termina de falar e pra mim foi a mesma coisa de ter dito blablabla whiskas sachê. Eu me perco no quarteirão da minha casa e quando saio de uma loja em shopping nunca sei em qual direção eu estava andando. Juro.

55 - Eu era sempre a penúltima (porque graças a Deus sempre tinha uma ou duas antas piores que eu) a ser escolhida para os times na escola e isso fez com que Educação Física fosse a pior das piores matérias da face da Terra ever. Eu fugia e cabulava até a professora do colegial sacar a minha e pegar no meu pé. Piorou. Eu odeio toda e qualquer atividade física em conjunto. Se tiver bola então, me esquece.

56 - Cinema, livros, dvds, séries e música são sempre meus passatempos preferidos e com os quais eu raramente penso se estou gastando muito com isso. Pra mim sempre vale a pena.

57 - Eu gosto de altura e me sinto bem com isso. Me sinto livre, feliz. E sempre gostei de ir em parques de diversão, com montanhas russas radicais e coisas do tipo.

58 - Eu não tenho medo de barata não. Tenho nojo de matar, mas medo histérico assim igual à mulherada toda, não. Mas tenho pavor de sapo.

59 - Você NUNCA vai me ver sem brincos. Nem se casar comigo.

60 - Eu gosto muito de anéis e brincos e correntes e afins. Mas me sinto estranha com colares exagerados, tenho alergia à bijuteria e não gosto de anéis que ocupam metade do dedo. Meu estilo é delicado e clássico - coisa fora da moda hoje em dia.

61 - Eu já bati meu carro no de um ex-namorado. E tenho vontade de socá-lo quando penso que ele deve sair contando isso pra todo mundo. Ficou traumatizado, coitado. Mas a culpa foi dele.

62 - A minha primeira transa foi péssima. E tocou 'tou de bem com a vida' da Xuxa ao fundo. Eu tinha 16 anos. E tem uma marca de sangue meu no rejunte do chão da cozinha da casa de alguém por aí...

63 - Eu tenho cócegas nas costas e massagem, que é uma coisa linda e relaxante pra todo mundo, pra mim é uma verdadeira tortura.

64 - Eu não ligo pra marcas de utensílios de uso pessoal. Nem de cosméticos, nem de cremes, nem de roupas. Claro que se eu for comprar uma maquiagem vai ser de alguma marca conhecida pois do contrário vai pipocar a minha cara e daí vai ficar bonito. Mas essa coisa de Victoria Secrets e blablabla pra mim é grego. Pra mim funciona assim: é de passar? Tem cheiro bom? Não foi fabricado na China? Então beleza.

65 - Eu não gosto de nada agridoce. Essa coisa de peru com abacaxi, farofa com banana, maionese com maçã. Pra mim as coisas têm que ser muito bem definidas, quando é doce é doce, quando é salgado é salgado. Isso não quer dizer que eu coma do jeito que mamãe manda, primeiro salgado depois o doce. Às vezes eu faço o contrário. Mas o que importa é que eu não gosto de nada misturado. Nem vitamina, nem salada de frutas.

66 - Eu nunca gostei de perder. Eu preferia roubar nos jogos quando era criança a perder. Fazia marquinhas nas cartas de jogo da memória pra ganhar de todo mundo e pronto. Hoje eu jogo direito. Mas continuo não gostando de perder.

67 - Eu não como nada de frutos do mar. Peixe pra mim é só frito, grelhado ou assado. Nem polvo, nem lula, nem mariscos, nem pato, nem comida japonesa, nem nada estranho. Me vê um prato de arroz com feijão e não se fala mais nisso.

68 - Eu não sou carnívora e dou prejuízo feio na churrascaria. Mas gosto de ir porque eu acho lindo o buffet de saladas. Sou coelha. Só não viro vegetariana porque no Big Mac tem hamburguer. Mas que fique claro que é só por isso.

69 - Me interesso pelas pessoas infinitamente mais pela inteligência do que pela beleza delas. Já namorei bastante gente feia.

70 - Tenho fraco por pessoas cool. Sabe, gente antenada, que gosta de coisas diferentes, beirando o mundo nerd mas passando pelo alternativo? Que sabe conversar sobre tudo, tem a mente aberta, mundo próprio, gostos que não seguem tendência? Então.

71 - A-do-ro passear no shopping. Desde que seja segunda-feira de manhã.

72 - Se você pinta as unhas dos pés de cores escuras, usa sandálias que deixam seus dedos para fora ou chega na livraria correndo para a prateleira de autoajuda, acredite. Você não tem capacidade pra fazer parte do meu grupo de amigos.

73 - Eu não gosto de cerveja. E também não sou fã de chopp. Prefiro bebidas com vodka porque eu acho que cachaça é muito amargo, mas nada se compara a whisky. Ô coisa ruim dos infernos. Portanto, prefiro vinho. Que não seja seco, de preferência. Conclusão: se um dia você for ao mercado e ver alguém comprando garrafas de country wine sou eu. Ah, e fucks se o meu paladar é pobre.

74 - Eu tenho medo de fantasmas. E já tive experiências bem estranhas a respeito disso.

75 – Eu sempre fui uma garota de exatas. Minha matéria preferida na escola sempre foi matemática, passando por ciências e finalizando em geometria. Não sei porque cargas d’água resolvi me formar em uma profissão de humanas. De todo jeito, as opções eram 1-Arquitetura, 2-Biologia, 3-Arqueologia, 4-Genética, 5-Ciências da computação. E eu sou formada em administração. Aham, Renata. Senta lá.

76 – Um dia eu ainda vou fazer curso de corte e costura. Acho supimpa quem sabe fazer suas próprias roupas. Pra complementar os cursos estranhos que já fiz na vida, tipo culinária e cuidados com as roupas e tal. Apesar de saber cozinhar e cuidar das roupas antes de fazê-los.

77 – Eu nunca fiz festa de formatura. Usei beca na formatura do pré-primário só e se você me viu em um baile de formatura pode crer que não era meu. Fato é que eu nunca achei que valesse a pena. E no colegial eu troquei o baile pela viagem pra Porto Seguro com a galera. E aí está mais um momento da minha vida que eu fui 100% feliz. Foi inesquecível.

78 – Quando eu converso com mulheres que só falam de homens penso que talvez não seja só os homens que não amadurecem nunca. Eu falava só de homens quando tinha uns 14, 15 anos. E penso que uma mulher de 30 que só fala disso precisava mesmo era ir lavar uma roupa no tanque.

79 – Eu nunca faria uma cirurgia só por estética. Acho que não vale a pena o sacrifício. Se for pensar em lipo então, eu te digo que você não tem é vergonha na cara de fechar a boca e emagrecer por seu esforço próprio.

80 – Eu nunca fui assaltada, nunca fiquei presa no elevador, nunca tive a conta no vermelho, nunca transei no primeiro encontro. E nunca tive mais um monte de experiências que pra muita gente é mais do que normal. E sou feliz assim.

81 – Já tive cachorros, gatos, peixes, periquitos, chinchila. Mas nada se compara à saudade que eu tenho do Bóris :~ (e o peixe beta se suicidou, o Bóris pulou no aquário, as carpas comeram os dourados, os periquitos tiveram filhos que tiveram filhos e todos comeram as cabeças uns dos outros. Várias aventuras.)

82 – Sou tímida. Não chego em ninguém, não canto em videokê, não gosto de falar em público e não me sinto à vontade se eu chego no lugar e todo mundo olha pra mim. E fico vermelha na hora. Me atrapalho e tudo tende a dar errado se alguém estiver prestando atenção em qualquer coisa que eu esteja fazendo. Mas sexo eu gosto no claro. Que eu não sou boba nem nada.

83 – Tatuagem também foi uma das coisas que eu fui mais feliz em fazer nessa vida, e apesar de ter sofrido horrores já faz um ano e eu já estou querendo fazer outra. Gosto muito.

84 – Gente que entra e sai muito do MSN pra mim quer aparecer. Bloqueio.

85 – Bloqueio e desbloqueio, deleto e incluo, permito e despermito. Eu sou assim. E tudo depende da minha vontade. Do meu humor. Da lua, dos astros, do cosmos. E a maioria das pessoas entende. Quem não entende é porque realmente não tem motivos pra fazer parte da minha vida.

86 – Eu sou pontual. E aprecio quem é pontual comigo.

87 – Tenho saudades dos tempos passados. Ex-escolas, ex-colegas de escola. Ex-trabalho, ex-colegas de trabalho. E eu queria voltar atrás pra viver tudo de novo.

88 – Já fui atropelada por uma moto na frente de casa. E o motorista nem parou pra perguntar se eu estava bem.

89 – Vocês sabem que eu já fui em shows do Bon Jovi, Aerosmith, Madonna. Mas eu também já fui em shows estranhos, porque era aniversário de alguém ou porque alguém ia e eu acompanhei. O último show de Sandy e Júnior foi o mais bizarro até o momento.

90 – Eu sei de cor os números de todos os meus documentos, mais os documentos de meus pais e irmão e mais o cpf de algumas amigas. Sei todos os números de conta, senhas, aniversário, datas importantes e coisas afins. Mas eu sou capaz de digitar www e nesse intervalo de tempo esquecer qual era o endereço da página que eu queria entrar.

91 – Eu nunca viajei pra fora do país. Mas esse é o item que está em primeiro na minha lista de prioridades pra fazer ainda nessa vida.

92 – Eu não gosto de mudanças. Nem de casa, nem de costumes, nem de rotina. Não gosto de coisas novas. Nem comidas diferentes. Na verdade eu me sinto muito confortável com as coisas que já estou acostumada. E quando preciso mudar nunca é por livre e espontânea vontade.

93 – Pouco me importa o quanto de dinheiro que alguém tem ou deixa de ter. Se tem casa própria, casa na praia, carro, roupas de marca. E hoje em dia eu vejo muitas maria-gasolinas por aí, tanto que me arrisco a dizer que quase toda mulher é. São raras as exceções. Eu acho uma pena. As pessoas se apegam a esses detalhes e esquecem de reparar no principal.

94 – Fiz catecismo e no dia de me confessar pra receber a primeira comunhão eu não confessei todos os pecados porque as “maria-padres” estavam na porta ouvindo. Isso fez com que eu não quisesse mais continuar os ensinamentos da Igreja Católica, como fazer Crisma e tal.

95 – A única vez que eu fui em um estádio que não era pra ver show era um jogo de Brasil x Uruguai. E por não me interessar por futebol me surpreendi com o tanto que me diverti. Mais com o que as pessoas sentadas aos meus lados diziam sobre o jogo do que com o jogo em si. Foi bacana.

96 – Meu passatempo preferido é dormir. Comer e sexo também são bem legais, mas dormir é uma coisa que invade infinitamente meu ser e eu não consigo controlar. Durmo em média 10 horas por noite, ininterruptas. E se não for assim é o primeiro passo para que eu acorde mau humorada no dia seguinte. Sonho todas as noites.

97 – Meus olhos mudam de cor. Quando está sol e eu estou feliz, são verdes. Mas eles geralmente oscilam entre tons de castanho ao dourado. Sou mutante. Ou vampira, vai saber. O que importa é que eu não sou Rebelde.

98 – Só comecei ser menininha e usar saia e vestidos e maquiagem de uns 5 ou 6 anos pra cá. Mas eu sempre gostei. Tinha é trauma da minha mãe falando na minha orelha sem parar quando eu era criança que tinha que sentar direito porque estava de saia.

99 – Sou boa filha, boa irmã, boa neta, boa sobrinha. Mas muitas vezes eu queria mesmo é jogar tudo pra cima e ser uma tremenda de uma irresponsável.

100 – Se eu sou sempre feliz e simpática com você, desconfie. Sou da opinião de que só as pessoas que me conhecem bastante estão aptas a me aguentar na alegria e na tristeza. Não se abale se eu brigar com você. Se isso acontecer é porque te estimo muito e tenho liberdade de dizer o que penso, seja lá o que for. Do contrário eu nem perderia meu tempo. Tenho muita vontade de falar várias verdades e lavar muita roupa suja com muita gente por aí. Mas eu não faço porque prefiro não brigar. Pra evitar a fadiga.

101 – Eu converso com a televisão. E tenho consciência disso.

102 – Eu não saio abraçando ninguém por livre e espontânea vontade, mas ganhar um abraço bem dado, daqueles que preenchem, está entre uma das coisas que eu mais gosto na vida.

103 – A primeira coisa que eu penso quando acordo é em qual dia da semana estou. Eu tenho uma facilidade incrível de colocar a escova de cabelos na gaveta de talheres na cozinha logo cedo, mas o dia da semana eu não perco nunca.

104 – Sou ciumenta. Com minhas coisas, com minhas pessoas. Mas eu disfarço.

105 – Eu sou paciente. Muito, demais. E a cada dia que passa eu consigo me superar.

106 - Fisicamente eu sou muito parecida com meu pai e as irmãs dele, mas minha personalidade é muito semelhante à da minha avó-madrinha. Inclusive no dia que estávamos viajando de ônibus e eu fiquei enjoada e ela me deu a sacola que levava os queijos mineiros pra vomitar. Eu senti o cheiro e aí sim foi que e virei do avesso. Minha avó. E ela gargalha quando eu lembro disso.

107 - As últimas profissões que eu teria nessa vida seriam pedagogia, direito e medicina (ou qualquer coisa do tipo - veterinária, enfermagem e tals). Nessa ordem.

108 - Eu gosto de baladas só às vezes, mas gosto de barzinhos. E gosto também de parques e passeios culturais do tipo museus, exposições, mostras e coisas do tipo. Mas nunca acho companhia para esse último passatempo. :(

109 - Se eu tivesse outro tipo de leitores nesse blog ia me preocupar com o post ter ficado enorme e que ninguém ia ler. Mas depois de todo o meu mês bonjoviano tenho certeza que terei leitores assíduos - e malucos - nesse post também. Que bom. Eu gosto assim. :)

110 - Eu me enganei em alguma coisa na hora de listar os itens e no fim das contas acabei passando da meta inicial. Daí eu não quis apagar nenhum item porque foi tão difícil pensar em tantos e então que acabou com 110 ao invés de 101. Ah, ficou bonito mesmo assim, vai!

111 - Ana Lu foi eleita a tarada dos posts enormes por sair correndo e comentar antes que eu arrumasse o meu problema com a numeração. Enfim, o comentário dela é a prova de que eu passei da cota sem querer. ;)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sobre Seinfeld

Seinfeld é uma série antiga que passava em algum lugar que eu nunca vi. Não sei, na minha tv passava Bill Cosby, Vicky, Blosson, Punky, o Elo Perdido, A Feiticeira, Jennie é um Gênio, I Love Lucy, Full House. Mas Seinfeld.. não me lembro.

Daí que um dia o babybrother ouviu no Nerdcast alguma coisa sobre Seinfeld e resolveu baixar pra gente ver. E eu venho por meio deste dizer que, após 9 longas temporadas...

Não se compara com Friends. Apesar de ser uma série que envolve amigos e situações do cotidiano e que, me contaram - Seinfeld foi a primeira sitcom cujos atores dos personagens principais chegaram a ganhar 1 milhão de dólares por episódio. A segunda foi Friends. Não se compara com Lost porque eu, pessoa que considero essa a melhor série de todos os tempos, vou demorar pra achar alguma coisa que se compare a Lost. Não se compara com Sex and The City, apesar de também falar muito sobre sexo e na mesma Manhattan das mulheres solteiras de 30 e tantos anos, mas quase 20 anos antes, onde o figurino e cabelo bizarros dos anos 80 predominavam. E eu estou citando só Friends, Lost e Sex and the City, porque até hoje são, junto com Seinfeld, as quatro séries que eu vi tudinho, de cabo a rabo. Porque não dá pra falar nada de uma coisa que ainda pode mudar.

(Wiki) Episódios de muitas sitcoms, como Family Ties e Full House, eram centrados em um único tema ou situações cômicas restritas, enquanto a maioria dos episódios de Seinfeld eram focados em incidentes do cotidiano, como permanecer numa fila de cinema, sair para jantar, comprar um terno e, basicamente, lidar com as amargas injustiças da vida. O ponto de vista apresentado na série é consideravelmente consistente com a filosofia do niilismo, a idéia de que a vida não tem sentido. - Uma série sobre o "nada", como eles mesmo diziam em alguns episódios.

Legal foi ver a participação de muita gente hoje muito famosa no mundo das séries em personagens principais. Com certeza Friends tirou de Seinfeld a idéia de usar pessoas famosas, mas Seinfeld fez o processo exatamente ao contrário. Pude presenciar Cuddy (de House), Janice, Susan e Mônica (de Friends), Jin (de Lost), Lois Lane (do Superman de 1993), Charlotte (de Sex and The City). Todas (menos o Jin, claro) fazendo papéis secundários de namoradas dos personagens principais quando nem sabiam que um dia teriam papéis grandes em séries sensacionais que ainda haviam de existir.

Mas aí eu queria dizer pra vocês que em cada série que passa eu me identifico ou amo muito algum personagem. Ainda bem, porque tem alguns que eu realmente odeio, e em Seinfeld eu fico feliz que Newman tenha sido comido em Jurassic Park alguns anos mais tarde. Mas me identifico com Miranda (de Sex and The City) ou Mônica (de Friends) e amo muito Sawyer (de Lost, claro!), por exemplo. E aí eu vim contar pra vocês que em Seinfeld existe George Costanza.

(Wiki) George Costanza (Jason Alexander) — O melhor amigo de Jerry. É pão-duro, desonesto, mesquinho e invejoso, frequentemente retratado como um perdedor, inseguro quanto a suas capacidades. Costuma reclamar e mentir sobre sua profissão, relacionamentos e praticamente tudo o mais, o que normalmente lhe traz problemas posteriores. Utiliza com frequência o pseudônimo "Art Vandelay" ao mentir ou inventar histórias para justificar um dado comportamento. Em certa oportunidade foi descrito sucintamente por Elaine como um "homem baixinho, atarracado, lerdo e careca". Apesar desses contratempos, George costuma conseguir encontros com diversas mulheres, alcançando também um cargo de destaque no New York Yankees. Costuma fingir que é um arquiteto.

E então eu devo dizer pra vocês que não sei. Não sei se é o meu fraco por pessoas difíceis de lidar, não sei se é por todas essas 'qualidades' que a wikipédia diz sobre o personagem e que realmente são verdade. Mas o mais provável seja porque eu me identifiquei com ele. Me identifiquei com o episódio que ele paga uma big salad pra amiga, mas a namorada que leva e ele passa o tempo todo querendo dizer que foi ELE que pagou. Me identifiquei com o episódio que um antigo colega estava no AA e o nono passo para a cura era pedir desculpas para quem já tinha magoado e George passou o episódio inteiro esperando as desculpas dele. Me identifiquei quando George achou um terno perfeito na loja e escondeu por trás das prateleiras porque era o único e só no dia seguinte ia começar a promoção. Me identifiquei quando George mandou fazer uma cama embaixo da mesa do escritório e com a carteira grande demais porque guardava vales-comida e tudo mais que dá desconto nela. Me identifico com George na felicidade de achar uma boa vaga para o carro e no fato de ignorar seus pais, até o dia que eles disseram que tinham mais o que fazer e ele ficou preocupado se não gostavam mais dele. George quis correr pelado durante o jogo dos Yankees pra ser dispensado do emprego, mas teve vergonha e usou um maiô cor de pele e foi zoado por isso. George pegou uma bomba de chocolate do lixo da casa da sogra porque a mesma não tinha tido contato com o lixo em si e estava quase inteira. George tira a roupa toda pra ir ao banheiro e depois sai pela festa seminu porque esquece de vestir a camisa.

Então eu concluo meu post sobre Seinfeld dizendo pra vocês que todo esse tempo que eu passei vendo essa série que começou na minha vida de maneira meio sem graça e sem grandes pretensões me trouxe a sensação de ter conhecido um dos melhores personagens de séries de todos os tempos. Sei lá, George Costanza está quase lá no pódio com Sheldon (de The Big Bang Theory). George é, sem sombra de dúvida, o melhor personagem da série, ganhando de MUITO a zero do próprio Jerry Seinfeld, que faz paródia de si mesmo. E apesar de saber que George era tremendamente inspirado em Larry David, co-autor da série junto com Seinfeld e um chato de galocha, pra mim só é George Costanza se for esse ator, baixinho, careca e atarracado, mentindo que é arquiteto e que trabalha na Art Vandelay. E apesar de existir Cosmo Kramer, também muito divertido na série toda, não tem pra ninguém.

E se alguém quiser partilhar de pouco, MUITO POUCO das caras e bocas de George Costanza nos dias atuais, devo dizer que hoje ele é o diretor da escola do Chris (de Everybody Hates Chris) e que naquele episódio que neva horrores e a escola fecha só com o Chris e o diretor dentro... eu tive a impressão que Geoge Costanza ia realmente botar pra quebrar.


George Costanza, parabéns. Você foi mesmo sensacional.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sobre dar parabéns

Então. Eu acho que dar parabéns é uma coisa chata. Sei lá, monótono ficar ligando e falar aquelas mesmas coisas de "muitas felicidades, saúde, paz, amor" e blablabla do raio que o parta. Que saco. Todo mundo já sabe que naquele dia fatídico todo mundo vai ligar e falar a mesma coisa. E, sei lá, eu fico meio com vergonha. De ligar e falar a mesma coisa que todo mundo. Tão previsível. E o aniversariante fica lá do outro lado falando 'obrigado' como se não fosse a quinquagésima nona vez que estivesse ouvindo a mesma frase naquele dia. E então que faz quase 30 anos que eu me obrigo a ligar para certas pessoas e dizer parabéns. É, porque por mais que eu não queira, sempre tem alguém que a gente PRECISA ligar. Aquela tia atenciosa, por exemplo. Ou pai e mãe. Avó. Ou a melhor amiga. E então, para essas pessoas específicas (porque as outras, apesar de eu lembrar sempre do aniversário de quase todo mundo, eu nem me dou ao trabalho de ligar por todos os motivos que já citei acima) eu decidi desejar umas coisas diferentes, pra mudar um pouco a rotina. Desejo baladas pra pessoa dançar até cair. Desejo muitas latinhas de cerveja pra beber até cair. Desejo um balde de pães de queijo pra comer até cair. Desejo um monte de homens gostosos pra dar até cair. E aí citando aqui pra vocês eu chego à breve conclusão que no fim das contas eu sempre desejei que todo mundo caísse e pronto.

Daí, pensando no outro lado da moeda, afirmo: lógico que eu fico esperando os parabéns das pessoas no meu aniversário. Óbvio que eu ando com o celular a tiracolo. E daí que tem que ligar e falar a mesma coisa que todo mundo já falou? Eu vou esperar sim a sua ligação porque você não tem mais que a obrigação de me ligar no meu aniversário, pessoa linda e necessitada de atenção nesse dia que sou. E aí eu posso dizer pra vocês que não. Não tem o mesmo efeito dar parabéns por msn. Muito menos por orkut. Facebook, twitter, e-mail. Não. Pra mim só tem validade se for ligação. Melhor ainda, se me der pessoalmente e com meu presente debaixo do braço. Mas não.

Acontece que eu faço aniversário em 26 de dezembro. Sabe? Tá todo mundo de ressaca do Natal e fazendo planos de Reveillon. Bonito assim. E então eu devo dizer que faz 30 ANOS DE VIDA que eu sou uma pessoa frustrada porque nas minhas festas de aniversário sempre estava todo mundo viajando. Se bem que hoje eu não ligo mais não. Hoje eu me limito a sentar ali num Outback da vida e encher a cara de sorvete. Sozinha mesmo. Porque nenhuma balada abre no dia do meu aniversário, pra variar. Enfim, já acostumei. O que eu não acostumei mesmo são os recados no orkut. E então esse ano eu decidi que ia apagar o dia do meu aniversário das redes sociais. Bonito assim. E quero só ver quem vai lembrar. Porque pra mim vai ter valor assim. Alguém que lembrar sem aviso automático. Sem a foto da minha cara lá na sua página inicial dizendo OI, É MEU ANIVERSÁRIO, VOCÊ TEM OBRIGAÇÃO DE ME DIZER PARABÉNS. E então, avisando uma amiga dessa minha decisão, eu ouvi "xi, eu posso esquecer". E então eu já falei: problema seu. Que anote na agenda. Que coloque post it no peru de Natal. Que escreva no cabeçalho das passagens da viagem. Não quero nem saber. Esse ano eu decidi que quero felicitações apenas de quem se lembra de mim. Ou de quem faz esforço pra não esquecer, que seja. Porque eu estou cansada de ouvir desculpas do tipo "não deu pra te ligar porque eu tava viajando pra putaqueopariu, sabe como é, você faz aniversário bem nesse dia!" e então quando passa o ano as pessoas emburram porque eu não liguei nos aniversários delas, porque é óbvio que se elas fazem aniversário em qualquer outro dia chato do ano e espera-se que eu não tenha mais nada pra fazer além de ligar pra dar parabéns porque eu não tinha mais que obrigação.


Sugestão de comunidade para o momento: aqui.

Não fui eu que fiz não, mas com certeza é uma das melhores do Orkut.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Always *

ou Sobre o dia mais legal da minha vida - considerações finais

65 mil pessoas. 28 músicas num show histórico que durou 3 horas e 15 minutos. Eu não sei de onde saiu tanta gente, se tudo o que eu mais ouvi nessa vida foi ‘credo, você gosta de Bon Jovi?’ Mas talvez seja gente como a colega do meu irmão, que comprou o ingresso e disse que ia porque gostava de uma ou duas músicas só. No dia seguinte dizia que nunca tinha visto um cara tão lindo e que queria casar com um daqueles porque ele era maravilhoso e cantava muito bem. Sei.

Eu saí desse show pensando que sempre falei meu gosto musical para as pessoas meio que me desculpando. É, pô, eu gosto de Bon Jovi, desculpa aí, ninguém é perfeito e eu também não. Porque todo mundo seeeeempre encheu o meu saco com isso. Então muitas vezes eu preferi nem falar. Porque como eu já disse, eu não vou mentir meus gostos ou gostar de coisa modinha só porque dá mais status. Eu sou o que eu sou e gosto do que eu gosto, ponto final. Mas muitas vezes prefiro ficar quieta para que as pessoas não recriminem as coisas que eu gosto muito. Sim, eu me incomodo quando falam mal das coisas que eu gosto muito. Mas sabe, quando eu tava aqui fazendo contagem regressiva muita gente me falou muita merda. Tem gente que sabe brincar e tem gente que não sabe. E aí é engraçado ver que depois que o show passa, que foi histórico, que teve repercussão, que foi bacana...... todo mundo foi. Não, porque eu fui. Não, porque foi foda. Bon Jovi? Claro que eu gosto! Daí eu fico aqui pensando que é um bando de gente falsa. Que se esconde por não ter capacidade de dizer que gosta e enfrentar as merdas que todo mundo fala. Ou, pior. Que de ontem pra hoje começou a gostar só porque foi assunto e de repente ficou na moda. Então eu queria deixar bem claro: eu gosto de Bon Jovi. Gosto mesmo, sou fã, foi um dia importante pra mim. E por mais que tenha gente que pense que é inutilidade, que é um absurdo eu ter pago tão caro ou ter sofrido tanto e que não tinha necessidade de fazer tanto alarde.. eu digo pra vocês que oi, o blog é meu, o twitter é meu, o gosto é meu, a vida é minha. E é importante pra mim. Se você foi uma das fofas que acompanhou, curtiu, opinou, pensou em mim, 'me odiou mortalmente' e vibrou comigo a cada momento, obrigada. Se você gostou do meu texto enorme, saiba que eu nem tava esperando que alguém gostasse. Foi um relato meu, pra mim, e nada atrativo, por sinal. Mas obrigada por isso também. Se você entendeu meu “blog monotemático” esse mês, obrigada. Se chegou aqui e viu o que tava rolando e não curtiu, mas ficou na sua pra não jogar areia na felicidade dos outros, obrigada, MESMO. Mas se você não consegue aceitar e respeitar, tchau. E a próxima pessoa que vier me perguntando “e aí, como foi o showzinho da sua vidinha?” vai falar com a minha mão. Com a minha mão diretamente se posicionando em direção à sua cara, pra ser mais precisa.

O show foi maravilhoso e teve tudo o que precisava ter, sim. Jon é fantástico e sim, é uma delícia – e tem 48 anos. E aí depois de tudo tão perfeito, tão lindo, tão sensacional eu tou aqui pra dizer que se antes meus gostos não eram suspensos por palitos de dente, barra de aço agora é pouco. Porque EU SIM sempre gostei de Bon Jovi, essa banda que saiu aí dando o que falar porque os caras estão todos beirando os 50 anos e lançam CDs todo ano. Porque fizeram um show pra ninguém botar defeito, cantaram as músicas antigas e queridas para agradar o público e que banda nenhuma faz isso mais em show. E cantaram as novas também porque estavam aqui pra isso e ficaram surpresos que todo mundo sabia cantá-las também. Eu sempre fui fã e Bon Jovi sempre foi minha banda favorita e isso não vai mudar. Aliás, vai sim: se antes eu era fã, agora sou três vezes mais. E eu pagaria mais três vezes isso para ter três vezes disso. Tenho o maior orgulho de dizer que eu tenho mesmo um gosto sensacional e que a minha preferida é uma banda foda assim. Um pessoal que tocou até não conseguir mais, pra agradar ao máximo fãs de um país que fazia 15 anos que não visitavam, mesmo que das últimas vezes que tenham vindo aqui tenha tido só mico e eu tenha sentido vergonha alheia por meus conterrâneos brasileiros. E apesar de ter muita gente por aí dizendo 'mas eu tava no mesmo restaurante que eles e pedi foto e eles disseram que não' eu digo que é bem feito. Queria ver se fosse você que estivesse lá com a boca cheia de macarrão (babybrother falou que Jon tem cara de gostar de macarrão) e chegassem meia dúzia de adolescentes gritantes e chorantes, se você ia curtir. Quando é uma vez na vida ainda tudo bem, mas e quando é a vida toda? Eu dou razão pra eles. Eu concordo com eles. E acho que mesmo eu tendo queda por gente antipática e mesmo eu já sabendo que eles eram assim... ainda me surpreendi com o carinho que eles tentaram demonstrar por nós. E se antes era difícil selecionar um top 5 ou top 10 ou top 100 músicas de Bon Jovi que mais gosto (como a Mônica que me disse que seu professor de violão pediu que ela levasse um cd com as 10 músicas de Bon Jovi que ela mais gostava e ela levou 100), agora então ficou impossível.

E por mais que muito homem saia dizendo que o Jon é gay, tava cheio de homem lá no estádio. E eu não vi nenhum gay não, é o primeiro show que eu vou na vida que não vejo nenhum gay. Mas no fundo eu acho que é inveja. Fato é que Jon Bon Jovi lota um estádio com 65 mil pessoas e, em sua grande maioria, mulheres. E o cara é mesmo foda, é mesmo lindo e leva a mulherada à loucura fazendo tantos biquinhos, dancinhas e reboladinhas. Eu, inclusive. Mas ele falou na reportagem que tem sentido crescer o público masculino em seus shows. E que se pergunta... onde estão as garotas? E aí, que homem vai admitir que está indo no show do Bon Jovi (e a desculpa do ‘tou levando minha namorada’ não está valendo)?? E, para a infelicidade do mundo masculino em questão... ele não é gay não tá?. Eu vi, eu estava lá bem pertinho. E eu sou bem boa pra perceber essas coisas, vai por mim. Deixo então aqui pra vocês o link do Registro Dissonante, também indicação da Isadora (todos os asteriscos de todos os títulos com nomes das músicas do show completamente relacionados aos meus momentos se referem aos créditos dela), com um texto sobre o show não tão apaixonado como o meu, mas ótimo mesmo assim. Muito bem escrito por um homem – e que não me parece muito levar jeito pra gay.

E eu queria dizer pra vocês que esse dia foi o melhor de todos sabe? Que nem que eu assista outros shows do Bon Jovi outras vezes, nem que eu fique sócia do backstage e entre nos bastidores pra tirar fotos com as guitarras igual eu vi num Orkut de uma menina lá (que graça tem ver as coisas sem a presença dos caras?), nem que eu viaje pra outros países pra ver o show fora do Brasil e nem que eu tivesse ficado nos mesmos hotéis que a banda e compartilhado momentos na piscina, academia e restaurante, como outra menina se gabava lá no Orkut, dizendo que “são pessoas normais” - eu não quero saber que são pessoas normais, pessoas normais eu vejo todo dia. Não vai ter igual. Porque nos outros países não há brasileiros. E por mais que a gente seja macaco e eu sinta vergonha alheia por algumas coisas, a energia que existe aqui não tem mais em lugar nenhum. Imagina eu lá na Europa, pulando horrores enquanto o resto do público se limita a me analisar. E mesmo que eu tivesse toda essa grana que o pessoal do backstage tem pra seguir os caras pra lá e pra cá... não ia ser igual. Porque quem pode fazer essas coisas sempre não sente a emoção de realização de sonho que eu senti. Não vibra, não participa, não sofre na fila. Como todo astrólogo diz, os capricornianos precisam passar por dificuldades para darem valor às coisas quando as conquistam. Eu não sei se acredito muito em astrologia mas tenho que reconhecer que se eles se referem a mim nesse sentido estão é totalmente certos. E que quando vocês, algum dia, me verem sozinha e sorrindo na rua... saibam que eu estarei lembrando desse dia único e inesquecível.


♪ We weren’t born to follow
Come on and get up off your knees
When life is a bitter pill to swallow
You gotta hold on to what you believe
Believe that the sun will shine tomorrow
And that your saints and sinners bleed
We weren’t born to follow
You gotta stand up for what you believe
Let me hear you say yeah, yeah, yeah, oh yeah

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Blood on Blood *

ou Sobre o dia mais legal da minha vida - relato completo - Parte 13 (talvez Jason Voorhees também tenha tido a idéia de escrever sobre os dias mais legais da vida dele... vai saber. Ôpa que meu dia especial deu 13 partes e domingo é Halloween!)

Saí rápido, no meio da muvuca mesmo, dando as mãos para meninas que eu nunca tinha visto mais gordas e continuo sem lembrar da cara delas, só porque elas queriam pegar a rabeira da minha pressa. Mas saí rápido não só porque o babybrother me esperava. Saí rápido pra não dar tempo de ficar triste. Tudo tinha sido perfeito demais pra acabar num sentimento de tristeza. E eu não podia deixar que isso acontecesse. Felizmente saídas de show são o maior salve-se quem puder e eu me surpreendi comigo mesma por toda a educação que tive de pedir licença para as pessoas com jeitinho porque queria chegar do outro lado de um estádio lotado. Tipo assim, só eu queria andar na direção contrária. Disposição e simpatia. O que um show do Bon Jovi não faz com a minha pessoa? Encontrei a Mônica no caminho, que me seguiu até a barraca de souvenires oficiais. Com pressa, o pessoal se matava pelas coisas. Eu me enfiei lá e angariei a camiseta que queria desde o início, por 60 reais. Eu achei barato. No show do Aerosmith de 2007 as camisetas oficiais eram 120! E aí eu aproveitei e comprei um álbum de fotos, porque já que eu já tinha pago o olho da cara no ingresso mesmo, precisava de lembranças. Bem bonito, vou guardar pra sempre. Mais 50 reais.

Deixei a Mônica lá sob protestos, mas até ela comprar tudo eu já tinha ido no fluxo e não nos encontramos mais. Segui sozinha pela rua, suada, melada, descabelada, com a marca de óculos escuros na cara vermelha que denunciava todo o meu tempo na fila. Com dor de garganta e em todos os músculos possíveis e imaginários (e os que eu não imaginava que tinha, inclusive). Cheia das faixas de Bon Jovi amarradas na cintura, com a fitinha de pista vip já toda maçarocada no pulso, abraçada na minha sacola com a camiseta e o álbum oficial oficial. Sorrindo, feliz.

Me perdi. Não, eu não moro no entorno do estádio há 28 anos. Não, eu não tou careca de saber como são as ruas. TÁ, EU SOU UMA ANTA. Anta perdida, por sinal. Quando eu vi, estava numa rua diferente da que eu tinha que estar. Meu irmão reclamou que eu demorei pra chegar. Mas não ficou sabendo que eu me perdi. Fica um segredo aqui entre nós, tá? Cheguei no local combinado e fiquei sabendo que ele tinha dito pro amigo “a minha irmã vai estar de camiseta preta do Bon Jovi, fica olhando aí”. Babybrother puxou a irmã na hora de tirar sarro com a cara dos outros, sabe? Só o estádio inteiro, 65 mil pessoas, estavam usando camiseta preta do Bon Jovi.

Eu tinha pensado em ir no carro quieta. Tava tudo doendo e a garganta mais ainda. Mas não consegui. Eu tive que contar pra ele cada detalhe, cada biquinho, cada piscadinha e o fato de Bon Jovi ter cantado um trecho de música pra mim. Ele, animado, ouviu, opinou, conversou. Podia simplesmente ter ficado quieto e me mandado calar a boca, como faz às vezes. Ou podia ter enchido o saco e jogado areia falando qualquer coisa do tipo ‘ele é gay’ ou 'ele faz isso pra todo mundo', como muita gente faz. Mas não. Foi a primeira vez que eu soube que ele estava feliz em ver a minha felicidade. E foi bonzinho em me ouvir e deixar que eu curtisse meu momento e ainda me contou que assim que ele e o amigo saíram do estádio ouviram uma menina dizendo em voz alta, alto e bom som: “ah, que bom que eu vim no show, agora o Bon Jovi vai morrer mesmo mas ele pode morrer agora que eu já vim!” Continuou viva a pessoa que disse isso. Que pena.

Me deixou em casa e eu quis descer do carro sem tênis. Ele me olhou com desaprovação e me mandou colocar. E agora sim eu passei pelo porteiro. Acabada, cansada, dolorida. Mas ostentando uma bela camiseta do Bon Jovi que, com meu sorriso, completavam a felicidade e o orgulho por demonstrar onde foi que eu passei o dia.

Chuveiro, janta, cama. Eu já tinha deixado tudo preparado para a minha chegada. Eram 2:30h da manhã do dia 07 e eu não queria dormir pra não acabar o dia que já tinha acabado há algumas horas. Às 3h e alguma coisa o cansaço me venceu. E eu adormeci enquanto meu cérebro cantava ‘ô-ô! Livin ‘on a prayer!’



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Have a Nice Day *

ou Sobre o dia mais legal da minha vida - relato completo - Parte 12 de 2035

As luzes acenderam, os caras saíram dos instrumentos, deram as mãos, agradeceram. Jon ficou abaixado muito mais tempo que os outros, porque pareceu mesmo estar muito agradecido por tanto carinho. No twitter depois, o agradecimento: “Thanks to EVERYONE who came & showed us the love. We will be back soon!”

E então antes de saírem do palco, todo mundo continuou a gritar desesperadamente o que quer que fosse. Alguns pediam música, alguns pediam pra voltar e alguns gritavam só por gritar mesmo. Eu, acabada e com os cabelos encharcados de suor, não conseguia pensar se ainda faltava alguma música das minhas favoritas que eles pudessem cantar. Pra mim Jon podia cantar até atirei o pau no gato que eu ia amar. Já tava sem voz mesmo e fazia tudo o que podia pra emitir algum som plausível. E então eles pararam de analisar e apontar sei lá o que, a estrutura, a galera, a muvuca toda. Eu tentava ler os lábios mas esse pessoal fala um inglês muito caipirês para o meu inglês britânico. Fato foi que eles pararam pra prestar atenção no que o pessoal gritava, e de uma breve reunião no palco decidiu-se. E tocaram Bed of Roses.

Eu já tinha me consolado sabe? Já tinha pensado que beleza, tava todo mundo cansado, eles mal conseguiam pegar seus instrumentos tudo de novo e tal. Era nítido o cansaço, mas mesmo assim eles foram lá e fizeram pra agradar a galera. Tocando mais uma música pedida aos berros. Foi bonito. E eu sabia que tinha acabado. Chorei.

No fim da música, ovacionados, eles agradeceram rapidamente e saíram meio que cambaleando do palco, muito cansados. Porque se eles ficassem lá a gente ia continuar pedindo músicas. E eles disseram para a imprensa que fariam show até quando o público quisesse. Ah que isso é mentira porque se dependesse da minha vontade eu tinha trazido todos pra casa e eles estavam aqui tocando pra mim até hoje. Eu ia me afogar nas dívidas de multa de silêncio do condomínio. Mas ia morrer afogada e feliz. No dia seguinte, em notícia na internet: “Em vez de um final apoteótico, Bon Jovi preferiu uma despedida do palco paulistano mais melancólica, com a lenta Bed of Roses e sem uma palavra. Apenas os olhos azuis marejados, uma batida com o punho do lado esquerdo do peito e nada mais”.

Demos tchau com as mãos, as luzes acenderam, a música ambiente começou a tocar, o roadie jogou umas palhetas para a platéia, porque o Richie não fez isso. O pessoal se matou pra pegar e eu lembrei da vida. Acordei. Lembrei do babybrother que me esperava. Lembrei que eu precisava de um banho. Lembrei que queria comprar uma camiseta oficial. Mas meu coração estava ali, ainda, na boca. Eu ainda estava ansiosa e feliz, muito feliz. Pensava que ia escrever um post enorme, aos poucos, cheio dos detalhes. Queria lembrar de tudo, cada coisinha. Pra mim mesma. Pra manter meus sentimentos pelo máximo de tempo possível. Pra eternizar meu momento. Meu dia. Pra saber que eu não sonhei. Que eu vivi isso, de verdade. Eu senti uma felicidade como há muitos anos não sentia. E queria mesmo é que toda a alegria e toda a emoção que eu senti não saíssem nunca mais de dentro de mim. Porque eu saí diferente daquele ‘simples’ show. E saí querendo ser assim pra sempre.



domingo, 24 de outubro de 2010

Livin 'on a Prayer *

ou Sobre o dia mais legal da minha vida - relato completo - Parte 11 de 1849

Fazia um tempo já que a galera ao meu redor gritava “blayglory” e eu tava toda lá pensando que.... que música será essa, Deus? Como assim que eu tenho todos os CDs e não conheço? Tipo, cantou um dia lá num cd não oficial e o pessoal tá pedindo ou o que? AAAh, pode ser Blackout. Não, mas também não tem nenhuma música que eu conheça com esse nome. Tem Breakout mas sei lá, não é tão conhecida assim pra estar sendo tão pedida. Daí depois de um tempo eu processei. Bon Jovi tem músicas com nomes relativamentes grandes demais pra serem pedidas assim em show. Não é o caso dessa, mas o pessoal meio que abrevia pra ficar mais fácil de pedir e tal. É meio como um apelido íntimo, sabe? E aí eu entendi que o nome da música pedida era Blaze of Glory. Engraçado que quando eu entendi fiz coro também. E a menina que tava do meu lado e me olhava às vezes olhou também quando eu entrei no coro. E aí deu só ela pedindo uma música com nome nada a ver lá, coitada. Acho que ela também não entendeu qual era o esquema da coisa.

Então veio Blaze of Glory e depois I’ll be there for you e eu lembrei do babybrother que tinha dito que não gostava muito dessa. É meio mela cueca mesmo, daquelas que a gente acaba com a garganta de cantar o refrão e tals. Por isso mesmo, todo mundo sabia, todo mundo cantou. Aliás TODO MUNDO CANTOU TUDO. Lá ao meu redor pelo menos, assim que tocavam o primeiro acorde de cada música, o pessoal já entrava com a letra. Do primeiro disco da banda ao último. Todo mundo sabia tudo. Em uma música teve até o primeiro acorde, a galera entrou... e o Jon fez um sinal de não assim com o dedinho (fofo!), pra dizer que a gente entrou errado. Ai que se duvidar a galera tava sabendo cantar as músicas mais que ele.

Daí que todo mundo acabou com a garganta no I’ll be there for you e depois começou Have a Nice Day. I’ll Sleep When I’m Dead, Work for the Working Man. E Jon trocava de camiseta algumas vezes durante o show. Talvez não por ser um showman, mas porque estava transpirando muito mesmo. O bom é que nas fotos a gente pode analisar: de preto ele fica lindo. De azul ele fica gato. De vermelho ele fica divino. E eu penso que se esse cara usar uma roupa verde de bolinhas roxas eu vou achar sensacional.

Tocava Who Says You can’t go Home, e então veio Keep the Faith. Jon pegou as maracas e eu me preparei pra gravar ao vivo a única estrofe não cantada de suas músicas. Que eu ouvia à noite no walkman quando era adolescente e pensava que queria um namorado com uma voz como aquela pra sussurrar no meu ouvido. E aí eu gravei sim mas talvez não com tanto sucesso, porque o cara atrás de mim estava não sussurrando, mas gritando as frases no meu ouvido como se não houvesse amanhã. Sei lá. Às vezes ele sonhou em ser o cara que sussurra no ouvido de alguém. E aí eu até pensei em avisar que ele tava errando assim, levemente, no tom. Mas evitei a fadiga.

Daí a música acabou e os caras saíram do palco e eu fiquei nervosa. O show tava acabando. Podia ter mais uma ou duas músicas de bis só. E eu nem vi o tempo passar! O que? Os caras tocaram uma meia hora só! Não deve ser nem 10 horas da noite ainda! Como assim já vão??? Então conforme combinado todo mundo levantou os cartazes de Happy Birthday Tico para o baterista, que quando Jon voltou para o bis, viu e puxou o coro pra cantarmos. E aí eu senti vergonha alheia do pessoal que não sabe cantar nem parabéns pra você em inglês. Jon se deu por satisfeito com a repetição de ‘Happy birthday to you’ por 4 vezes, porque NUNCA que ia sair um ‘happy birthday dear Tico’ dali. Mesmo assim, li no twitter oficial depois “Fans in Sao Paulo have come up with a very cool way to wish Tico a happy birthday”. Eles se contentam com pouco.

Voltando ao show, tocaram These Days, porque a galera tava pedindo e é a preferida de muita gente. Wanted Dead or Alive, uma das minhas preferidas e Someday I’ll be Saturday Night, que eu nunca pensei que ouviria pessoalmente em show nenhum. Porque eu gosto muito dela sim, mas no cd ela vem respectivamente antes de Always. E isso é quase como ir pra balada com a amiga loira, alta e magra, sabe. Mas eu acho que gosto dessa música justamente por ela ser amiga da favorita. Sei lá, da mesma turma. Gostei.

Depois teve Livin ‘on a Prayer e eu já tava chorando não só por ser a música principal da banda, aquela que todo mundo conhece e que quem não conhece a banda diz que eles só têm uma música e pode crer... é de Livin ‘on a Prayer que a pessoa está falando. Mas tava chorando porque eu já tinha visto na internet que é a música que costuma fechar os shows. E eu não tava acreditando, não tava querendo, não queria acordar. Não queria que acabasse nunca e enquanto ele cantava que “ô-ô livin ‘on a prayer” eu, com as mãos levantadas e cantando pedia aos céus que o momento parasse ali e que não avançasse nunca mais. Eu queria ficar ali na muvuca sendo encoxada e levando pisões no pé pra sempre. Comendo cabelo. Suando, chorando, com sede e dor no pescoço. Com os braços doendo tanto que eu não conseguia nem levantá-los mais totalmente, já apoiava em cima da cabeça pra descansar um pouco. Com a garganta doendo, sem voz, pescoço acabado, não sentia as pernas há tempos. Mas mesmo assim eu queria que o tempo parasse ali, naquele momento. Queria que ele cantasse pra mim pra sempre. Que não fosse embora. Que eu não tivesse que lembrar de tudo como se tivesse sido um sonho. Eu não gosto de sonhar. Gosto de realidade.

sábado, 23 de outubro de 2010

It's my life *

ou Sobre o dia mais legal da minha vida - relato completo - Parte 10 de 1732

Cabou a música, Richie sentou lá com sua guitarra e daí eu até esqueci a indignação por ele ter cantado uma das músicas mais famosas. Porque Jon tinha ido descansar a voz. E voltou cantando Always, a minha preferida. Daí, minha gente, meu mundo caiu. E eu lembrei de quase todas as 697 vezes que já ouvi e cantei essa música na vida. Lembrei da escola, lembrei do meu walkman, lembrei das coisas que passaram. E chorei feito criancinha. Criancinha não que criança chorando é uma coisa normal e a gente tá acostumado. Sei que adulto chorando é uma coisa horrível, a cara incha, fica vermelha, baba, funga e transpira. E eu devia estar mesmo com uma cara péssima e perigando passar mal, porque a menina que estava do meu lado me olhava assim durante o show como se eu fosse cair a qualquer momento. Não sei qual era a dela não mas eu nem perdia meu tempo pra olhar pra ela, só via de relance ela mandando beijinho para o Jon durante o show (achei bonitinho), porque eu tava ocupada chorando horrores na música da minha vida. Babybrother depois me contou que lá da arquibancada nem deu pra ouvir a voz dele nessa música, porque o estádio inteiro cantou muito mais alto. Achei legal saber disso. Deve ser a música da vida de muita gente.

Pudera. Fala que o cara é corno e tals. Enfim. O pessoal deve se identificar.

Daí eu lembrei que estava lá. Por mim, pra mim. E que estava imensamente feliz por isso. Estava feliz por não ter um namorado pra ficar no meu pé e não me deixar curtir a coisa toda. Porque a maioria deles quer ir junto e depois gruda, pega, enche, segura, reclama se você canta, quer saber porque você chora, não te deixa dançar, enche o saco se você pula, fica com ciúmes do cara que está lá cantando, arruma briga com alguém que esteja te olhando. Namorado ia só me encher o saco nessa hora. Eu tava livre. Feliz. E então quando mais alguém me perguntar, eu vou saber responder. Naquele dia, naquela noite da minha vida, eu fui 100% feliz. Eu planejei, me preparei pra isso. Pensando só em mim. Fazendo aquilo só por mim. E não precisava me preocupar se tinha alguma amiga do meu lado que não estava curtindo o show tanto assim. Nem se tinha algum parente querendo morrer e desmaiar e ir ao banheiro e passar mal e beber água ou alguma outra coisa do tipo do meu lado. Porque apesar de não parecer, eu não sou egocêntrica, sabe? Eu nunca penso só em mim. Eu estou sempre olhando para quem está comigo, querendo saber se está bem, se está feliz, se está curtindo como eu. E acabo esquecendo de mim. Acabo esquecendo que muitas vezes EU é que tenho que curtir. Eu é que tenho que desencanar dos gostos, dos pensamentos, da vida, dos piripaques dos outros. Dessa vez eu não tinha ninguém e foi a melhor coisa que eu fiz nessa vida. E eu acho mesmo que é uma das poucas e raras sensações de felicidade por mim mesma, sabe? Depois fiquei pensando. Casar é uma felicidade para a maioria das mulheres, mas a gente tem que dividir isso com o noivo, claro. O noivo tá sempre morrendo, o noivo tá sempre querendo tirar foto, o noivo tá sempre querendo vender a gravata, o noivo tá sempre querendo desmaiar no altar, o noivo tá sempre querendo ir logo pra noite de núpcias. E ter filho também é uma felicidade para a maioria das mulheres. Mas daí também a atenção é voltada para a criança, tem que cuidar, tem que fazer, tem que olhar, e ah que cuticuti que fez cocô. Todas as outras situações de felicidade da vida envolvem outras pessoas além de nós. Mas eu consegui ter um momento de felicidade só meu. Só pra mim. Só comigo, só pensando em mim. Sendo eu de verdade e sem pensar se alguém tava olhando ou me recriminando. Curioso foi saber depois que naquele momento O MUNDO INTEIRO estava pensando em mim. Gente que sabia que eu tinha ido, gente que só imaginava, gente que sabia que eu tava curtindo, gente que sabia que eu tava morrendo de emoção. Todo mundo lembrou de mim, enquanto eu não lembrei de ninguém. A vida é mesmo curiosa.